Monday, June 25, 2007

Horóscopos

Toda a gente lê horóscopos. É um facto. E escusam de assobiar para o ar. Para já, porque vão parecer autistas em frente ao PC, e depois porque eu sei que vocês estão sempre a par das Cartas da Maya e sabem perfeitamente que o Óraculo de Belline não tem nada a ver com produtos ultracongelados... Eu, leitora assumida e sem vergonhas de todo e qualquer tipo de horóscopo, acabo de perceber (ao fim de 21 anos, é triste toda esta demora, eu sei...) qual o truque. É que eles acertam sempre, é incrível... lemos coisas como "tendência para dores de costas" ou "dificuldades financeiras" e pensamos "fogo... they are watching me" (reparem que repentinamente até ficamos bilingues e tudo, como se fossemos emigrantes acabados de chegar de Newark, depois de termos visto a Floribela no 10 de Junho...). Pois aqui o funcionamento é igual ao daqueles mágicos dos bares que nos dizem para olhar para meia dúzia de cartas e decorar uma, que segundos depois terá desaparecido. Eles fiam-se na nossa concentração numa só carta (e na nossa idiotice também), que faz com que não reparemos que nenhuma das cartas iniciais coincide com as segundas... Ora os senhores dos horóscopos, sejam eles astrólogos, tarólogos, tarados... ou um pouco de tudo isso, partem também do princípio que vamos ler apenas o nosso signo, e ficar maravilhados com a pontaria deles para tocar mesmo na nossa dor. Não pensam no caso de pessoas que além de ler horóscopos (e de o assumirem publicamente), o fazem de forma benemérita, lendo o horóscopo do irmão, dos pais, do namorado, das amigas, dos primos... para poder informar toda uma comunidade de astro-excluídos (ou seja, aqueles que fingem convictamente que nunca ouviram falar do Vidente das Estrelas). Quando ao fim de três signos distintos vejo várias maneiras de dizer a mesma coisa, com palavras diferentes, compreendo. Estes senhores podem não prever grande coisa, mas têm pelo menos um bom vocabulário. Podem não pescar grande coisa de ascendentes, mas dominam o campo lexical que é uma coisa parva, de converter qualquer céptico mesmo... Senão vejamos: "organismo muito débil", "cuidado com os excessos", "tenha atenção à saúde", "ouça o seu corpo", "saúde debilitada", "período de alguma fraqueza" são simplesmente sinónimos uns dos outros. Mas em bom. Parabéns. E eu que passei tantos anos a achar que em Março de 1997 tinham mesmo adivinhado o furto de que seria alvo, quando numa revista inscreveram as proféticas palavras "Capricórnios, tenham atenção à carteira". Desiludo-me. Mas rapidamente me iludirei novamente, assim que abrir mais uma revista na página das previsões.

Friday, June 22, 2007

Uma questão de alho

Berlusconi afirmou que o alho é "antidemocrático".
Resta saber o que o alho tem a dizer sobre Berlusconi...

Thursday, June 21, 2007

Não gozem com o senhor

Já tinha ouvido muita coisa sobre o Joe Berardo mas não sabia que ele era ......... deficiente! Nunca o tinha ouvido falar! Agora, tudo faz sentido. Realmente uma pessoa que fala como se estivesse ainda na pré-primária, mas também com uma batata cozida muito quente dentro da boca e tendo aprendido na véspera a palavra "instituição", pelo que tem de usar muitas vezes, quis compreensivelmente comprar um brinquedo para se entreter. E que brinquedo melhor que o Benfica? Não há, como no caso do Porto, aquela responsabilidade de ser um brinquedo topo de gama, daqueles que até dá medo de partir, tal seria o prejuízo.. Não há, como no caso do Sporting, o problema da complexidade, que obriga a ler o livro de instruções, a montar peça a peça e a pensar como raio aquilo funcionará. No caso do Benfica, se partir, deita fora e compra outro! Diz que o Beira Mar está a bom preço.

Wednesday, June 20, 2007

Maravilhas da Maternidade

Dizem que as pessoas mudam quando são mães. Estava com uma amiga minha e não tinha notado ainda nada de especial, tirando o facto de as calças de bolsos em vez de transportarem carteiras e telemóveis albergarem um biberon e, ok, o pequeno pormenor de trazer um ser de três adoráveis e rechonchudos meses ao colo. Até ali, tudo bem. Pronto, é certo que agora dorme menos, acorda mais cedo, não tem ido trabalhar, não tem tempo... Até aí são tudo adaptações demasiado naturais para poderem ser consideradas "a grande mudança desde que é mãe"... mas eis que surge a revelação, em tom natural, quase como quem não vê, ou não quer ver, que estamos perante o belo fenómeno da maternidade, em todo o seu esplendor: "levanto-me às seis da manhã, porque ele chora e eu também (pausa - para dar o tom dramático)... a ver o Extreme Makeover. É aí que eu peço para repetir, por favor... que o bebé chore, tudo bem, parece que eles são inventados mesmo assim. Mas que a mãe chore a ver o Extreme Makeover? Logo logo ela se apressa a acrescentar: o das casas, nao é o das caras! É caso para dizer "ah, muito melhor!". Fiquei muito mais descansada, não haja dúvida... Sobretudo quando ela começou a tentar explicar-me quão bonito e comovente podia ser ver uma casa a ser arrasada e construída do zero, para ajudar uma pobre família carenciada. E ainda hoje poderíamos lá estar, com ela a falar, embevecida, do filho e sobretudo de como os programas de decoração emitidos na televisão se tornaram subitamente muitíssimo emotivos. Mas eu disse-lhe que não valia a pena. Que enquanto não for mãe não conseguirei perceber. Talvez no dia em que tiver um filho, e ainda no recobro, eu corra para a televisão para ver o Querido Mudei a Casa e chorar, chorar muito, a cada vez que uma das tias decoradoras falar.
De qualquer forma, aqui ficam os meus parabéns... com um miúdo daqueles que trazia ao colo até se justifica ver o Extreme Makeover e ... vá lá, verter uma lágrima ou outra porque não? Desde que ele seja saudável e largue a chucha aos dois anos, está tudo bem.
PS - Foi a primeira vez que escrevi as palavras biberon, chucha e rechonchudo. Aproximo-me perigosamente do estado mãe-lamechas, sem a parte do mãe, claramente, mas com grande ascendente de lamechice. Mais um pouco e estou a ver o Essência, com a Ana Marques, na Sic Mulher. Ok, com tanta informação já me denunciei: eu já vi!

Pequeno Barco à Vela

Enquanto muitos e muitos lisboetas se ocupam a ouvir o que têm para dizer senhores como António Costa, Helena Roseta ou Fernando Negrão, o verdadeiro debate político está a passar-lhes ao lado. O único candidato digno desse nome, Gonçalo da Câmara Pereira, é o único a ter um programa realmente inovador para Lisboa. O líder do Partido Monárquico (sim ele existe) afirmou, para todos quantos quiseram ouvir (ou por outra, aqueles que viram o seu nome no jornal ou ouviram na rádio e pensaram "deixa cá ver que isto vai ser engraçado...") que se ganhar as eleições intercalares em Lisboa, vai oferecer um «pequeno barco à vela» a cada criança, «porque o amor ao Tejo começa logo em pequeno». Para Gonçalo da Câmara Pereira, é necessário «pôr o povo a olhar para o Tejo, a coisa mais bonita de Lisboa», já que «é o rio mais largo na foz da Europa e o único que não é utilizado». Tendo em conta que este candidato é já um vencedor, mesmo antes das eleições (quanto mais não seja em termos humorísticos), podem começar a vir de lá esses barquinhos. E olhem que apesar da natalidade ser baixa em Portugal, penso que temos criancinhas suficientes para impedir o tráfego de cacilheiros, iates luxuosos e barcos de recreio. Mas bonito, bonito vai ser ver as velas ao vento, como se tivessemos voltado aos Descobrimentos. Consta que Câmara Pereira quer também que os pais dessas mesmas crianças comecem a vestir-se segundo a última moda da Renascença, collants incluídos, e que as mães usem espartilho. Aqui fica o meu apelo ao voto. Vamos ver essa criançada velejar.

Blogue

Uma pessoa fica uns dias sem cá vir e é isto... o blogger conseguiu a naturalização. Qual Deco, agora o Blogger é português. Já não há dashboard para ninguém, só um rústico painel, já não podemos fazer compose, quanto muito podemos redigir, o que dá a ideia de que somos o primeiro secretário da associação de moradores do bairro, encarregue de fazer as actas... Preview nem vê-lo, quanto muito visualizamos e já é uma grande sorte. Já nem vale a pena dirigirmo-nos ao help, só há ajuda, o que dá um tal ar de caridade que nos rouba qualquer vontade de lá ir.... E no momento em que queremos realmente mostrar estes tristes textos ao público, já não há posts para ninguém: restam duas hipóteses - publicar mensagem ou guardar agora... e se olharmos mais para baixo temos até algo mais ousado, junto das tags há a opção de "mostrar tudo". Não carreguei lá. Tive medo do que pudesse surgir. Bem... resta-me conformar... e admitir que o meu blog morreu. Agora tenho um blogue, com tudo o que de portugalmente grave isso implica.

Wednesday, June 6, 2007

A Minha Avó é Uma Artista de Variedades

4º Episódio, a caminho do 5º.
Porque isto de ser artista de variedades dá muito jeito no dia-a-dia... entre outras coisas para fugir a telefonemas incómodos.

Não tem uma pessoa filhos para isto...

Faltava completar a frase com: "para andar a aturar os filhos dos outros". Mas não. Aquilo que aqui vos trago é pior, bem pior!
Uma pessoa não tem filhos e depois tem que tratar do... carro! Em vez de fraldas e pó talco, são ambientadores, limpa-vidros e mariquices que tais. Em vez de pagar a babysitter e o colégio, paga-se um seguro cujo valor dava para fazer o seguro de vida de trigémeos com doenças degenerativas. Em vez de o levar médico para um senhor o pesar, lhe dar vacinas e dizer que "está lindo" leva-se à revisão para um senhor olhar para ele de raspão e encontrar algum defeito. Em vez de o termos a dormir numa alcofa ao pé de nós, temo-lo à chuva e ao sol (não simultaneamente) no meio da rua. Em vez de ele fazer desenhos para nos oferecer no dia da mãe, há senhores que fazem gravuras de Foz-Côa nele, com chaves ou outros objectos pontiagudos, sem se preocuparem sequer com que dia é. Em vez de os vermos aprender o abecedário e a fazer contas de somar, vemos os mais diversos alertas começarem a aparecer: check ao óleo, depósito vazio, cintos mal postos...
O que torna tudo isto dramático é que até gostamos deles como os pais gostam dos miúdos... Ao ponto de lhes darmos nome e conversarmos com eles enquanto estamos ao volante. Diálogos absurdos entre nós e a caixa de velocidades, confissões ao tablier que são, numa palavra, ridículas (como, de resto, todas as cartas de amor, já dizia "o outro").

E no fim disto tudo, tinha que haver alguma compensação. Qual é?
As crianças não têm bancos ergonómicos...

Monstro Gourmet



Inicia-se neste momento mais uma rúbrica fascinante deste não menos fascinante blog. Protagonizada por quem? Pelo Monstro, claro. Que é o quê? Fascinante, nem mais!

E o primeiro produto a ser submetido à criteriosa análise do Monstro é, nem mais nem menos do que este: Chocolate Pantagruel. Este é um artigo de fina culinária que, numa palavra: cumpre. Não sei bem o que isto quer dizer mas dá um aspecto oficial à coisa. Pantagruel, um chocolate com um cruel destino traçado. Por trás da emabalagem naif, em tons de caixote de cartão, esconde-se uma placa de cacau atormentada pelo seu fim anunciado: uma morte lenta e dolorosa em banho maria, para uma transformação inglória em mousse ou bolo brigadeiro, em que os méritos da matéria-prima não chegam a ser esquecidos, porque simplesmente não são lembrados. É inglório para um produto da qualidade de Pantagruel.


E quando pensamos que Pantagruel é um dos melhores nomes que podia ser dado a um produto alimentar com vista ao "derretimento", eis que surge um irmão de sangue (ou colega de profissão, como preferirem): Belleville. Também o há em barra e em pó. Merecerá talvez, um dia, um post exclusivo para falar das suas virtudes. Mas isso só quando ultrapassar a segunda divisão do chocolate. Para já, na primeira liga dos derivados de cacau Pantagruel é rei e senhor. O preferido das donas de casa.

Estrelas: * * * *
Observações: deve ser consumido à temperatura ambiente, embora às vezes se torne difícil proceder ao corte sem recurso a serra eléctrica. Tempere com Paprika. Ficará óptimo.

... com selo de qualidade monstro bolero ...

Com quatro letrinhas apenas se escreve...

Isto de chegar a casa a tempo do telejornal, de tão raro que é, dá azo a grande entusiasmo e estupidez da minha parte, o que resulta nisto:
"Nani passou nos testes e já pode assinar".
Ok... o facto de eu já ter ultrapassado a fase da socialização primária e estar integrada na comunidade portuguesa, reconhecendo símbolos e signos (ainda que fraquinhos) como "Sporting", "contratos", "futebol", e até interjeições como "Nani" (da família de outras mais conhecidas como "Omessa" e "Oba!"), não impediu uma associação de ideias, bastante livre, diga-se: ora se Nani só depois dos testes se viu livre para assinar, parece-me óbvio que o teste era de português. Por outro lado, e tendo em conta que depois de aprovado nesse exame, o único acto de escrita para o qual foi dado como apto foi a assinatura, calculo que a prova tenha sido mais fácil que a de inglês técnico do Sócrates. Indo mais longe ainda (porque no que toca a associações livres, quando começo tenho dificuldade em parar - tal como com associações recreativas em época de festas populares) - para um teste de português ser fácil ao ponto de Nani passar com distinção e louvor... de que constaria??

Deixo algumas hipóteses no ar: ordenar três letras do alfabeto (b, a e c, mais precisamente, com uma pista em baixo, dizendo que o a nunca fica no meio e que o c vem sempre no fim); preencher o espaço em branco na frase "O Nani é bué da ____" com uma de três palavras: eloquente, aprazível ou bom; indicar o significado de "excrescência carnuda e avermelhada", de entre os três - Luís Filipe Vieira, Simão Sabrosa ou carúncula. Ok, esta era difícil. Vá-s lá saber se a resposta era Vieira ou Sabrosa... Mas Nani foi certamente capaz de acertar. Como prémio, recebeu um caderno de duas linhas para treinar as letras N, A e I. Horas depois, e já com algumas dores na mão esquerda, um dos membros da equipa técnica disse-lhe que ele não era canhoto e podia escrever com a outra... Estava então pronto para o grande momento. Assinar. Assim: N + A + N + I. Espectacular!!!

Manifesto Anti Netcabo

A netcabo tem de ir ao psiquiatra. Já.
E ele com certeza fará o diagnóstico óbvio, salta à vista: inconsistência simbólica e fragilidades identitárias. Que é como quem diz, não sabe quem é, de onde vem, nem para onde vai. Mas talvez eu lhe possa dar uma ajuda... Vai à vida não tarda nada porque ir abaixo de cinco em cinco minutos, mais do que dar azo a trocadilhos brejeiros como "além de inconsistência sofre de impotência com certeza", dá uma enorme irritação, isso sim. E é do cimo dessa grande irritação que escrevo isto, para vos dar conta da impossibilidade de fazer importantíssimos uploads, nomeadamente, respectivamente, designadamente e somente o grande "A minha avó é uma artista de varieades Take 4". E isso enerva-me. Sobretudo porque as contas continuam a ser pagas, mesmo quando a netcabo tem um comportamento que... tecnicamnte não sei como se cataloga mas aqui para nós é fácil: muito aproximado da debilidade mental, roçando mesmo a estupidez total e absoluta.

"Homem tenta pular no papamóvel" - ou como as noícias são tão mais giras em brasileiro

Quando vemos um simpático jovem tentar, desesperadamente, dar uma voltinha no Papamobile... e o dito cujo Papa não tem a bondade de o levar até ao fim da rua sequer... colocamos tudo em causa. É como destruir o sonho de uma criança de andar no Batmobile, mas na versão branca e evangelizada da coisa. Afinal de contas, custava muito dar uma boleia ao moço? Que é feito do teu espírito cristão, amigo Ratzinger? É que nem se dignou a olhar pelo retrovisor...

Constipação

Estar constipado no verão é uma posição demasiado dúbia, para não dizer bastante irritante. É como estar de cachecol e blusão de penas na Polinésia Francesa. É como comer peixe cozido com feijão verde num banquete de casamento. É como ter sede e não ter água canalizada, ter o frigorífico vazio e a dispensa forrada com pacotes de sal Vatel (tem de ser Vatel, senão está o cenário estragado). No fundo, estar constipado no Verão é uma condição humana tão filosoficamente inexplicável que é preferível optar pela ciência, e compreende-la segundo o paradigma da física quântica inventado agora mesmo por mim e patenteado aqui e agora com o número 1573264: o paradigma do On/Off. E funciona da seguinte maneira: ter frio/ter calor, ter frio/ter calor, ter frio/ter calor. É complexo eu sei, mas se lerem mais algumas vezes talvez cheguem ao âmago da questão. E pronto já escrevi âmago, posso parar. Antes que tenha calor outra vez.

Saturday, June 2, 2007

Backstreet's Back Alright!

É preocupante. Mas eu confesso. Só consigo pensar nas grandes questões da vida ao som de boys bands.
Para crises existenciais serve um "Show me the meaning of being lonely", por uns fantásticos Back Street Boys. Se falamos no fim dos recursos naturais e na insustentabilidade da condição humana no planeta Terra... talvez um "Bye Bye Bye" dos falecidos N'Sync. Para a enorme complexidade das relações interpessoais, nada como recuar aos clássicos (sim, que isto das boys bands já tem antiguidades): "Back for Good" dos Take That serve muito bem. Para uma agradável reflexão sobre os direitos e liberdades individuais, e os limites impostos pela vida em comunidade, pode ser um "Flying Without Wings" dos Westlife. Se tiver que pensar forçosamente em termos de teoria da imagem e representação, que é como quem diz "estar em véspera de exame", "Picture of You" dos Boyzone é do mais apropriado que há, para compreender em profundidade a questão platónica da imagem enquanto simulacro. Quando penso em igualdade e justiça social, ouço logo na minha cabeça um "Guilty" artificialmente afinado dos Blue. E quando penso em empadão de atum, a banda sonora é óbvia: "Eu Sou Aquele", by Excesso. E agora dizem vocês "Mas empadão de atum não é uma grande questão da vida". E eu respondo "bem observado, mas os Excesso também nunca foram propriamente uma boys band, por isso não é por aí..." E até digo mais, já que aqui estou... Sempre que quiser pensar nos horários da Rede da Madrugada dos autocarros da Carris ouvirei "A Rainha da Noite", dos D'Arrasar.
Alguma coisa contra? Aposto que não.
Agora tenho de ir...que o meu iTunes já toca "When You Say Nothing at All" e apesar do Ronan Keating assim avulso não poder ser considerado uma boys band, acho que merece um pensamentozinho que seja à sua altura. Sobre o aquecimento global ou assim...

Monday, May 28, 2007

CAPI

Andam tão preocupados com os sites de pornografia infantil... circulam petições online e tudo (tal como circularam já a propósito da extinção do lince da malcata ou dos rótulos dos limpa vidros), quando existe um flagelo bem mais preocupante à solta na net. O CAPI - Clube dos Amigos dos Porquinhos da Índia. Sim, à primeira vista ainda disfarçam. A velha história do "somos só bons amigos", ou quem sabe amigos coloridos, com manchas castanhas e brancas... Mas o pior vem depois: "O Clube pretende ser um ponto de encontro entre todos os amantes dos Porquinhos-da-Índia em Portugal". Atenção, muita atenção: os porquinhos portugueses têm amantes. Se calhar há muito boa gente por aí que anda a ser traída por um porco da índia (até aqui achava-se que era só pela porca do r/c frente). E continuam: uma comunidade onde poderá encontrar informações, partilhar experiências, pedir ajuda (...) para um relacionamento feliz. Já estou a imaginar, uma data de amantes de porquinhos, sentados num círculo a partilhar as suas dificuldades de relacionamento e de gestão de laços afectivos com aquela espécie de hamster que dorme a seu lado.

Saturday, May 26, 2007

Mobidoc

Aviso: este post contém publicidade. Involuntária, mas publicidade.
Existe uma loja de mobiliário e decoração de interiores chamada Mobidoc. Só por isto, já é digna de destaque. Mas o melhor é que ao visitar o seu site deparo-me com um aviso que me preocupa: "Alojamento Suspenso". Será que o Capitão Ahab espetou, com violência, um arpão na loja Mobidoc, deixando cómodas e aparadores a boiar algures no Atlântico?

Foi por pouco

Estava eu a ter um pacato sábado, como há muito não se via por aqui, praticando duas actividades extremamente cansativas, mais precisamente falar no messenger e ouvir música, quando tocam à campainha. Publicidade, pensei eu. E como ouvi tocarem para outros andares, a minha teoria foi validada, por mim mesma, nesse instante. Passado algum tempo batem à porta, já cá em cima e eu, que não me deixo enganar facilmente por essa malta da publicidade, desenvolvi toda uma técnica para fingir que não estou em casa, que passa, nomeadamente, pela deslocação pelo hall de entrada em "pezinhos de lã" (perdoem-me o termo técnico mas vejo-me forçada a utilizar, tal a especificidade do movimento) e pelo destapar lenta e silenciosamente o orifício para espreitar lá para fora. Devo ter estas capacidades de discrição e lentidão tão desenvolvidas que quando espreitei já só fui a tempo de ver um homem subir para o andar de cima. A minha teoria, mais do que validada, estava solidificada com 100% de certezas: não só era um vendedor-de-qualquer-coisa-porta-a-porta como era daqueles armados em espertos, que tocam em todas as portas ao mesmo tempo a ver quem sai primeiro. Ainda bem que sou esperta e não fui nisso! Voltei para o quarto, mais uma ou duas frases no messenger, mais volume na música e lá fiquei, na maior. Até que, num momento de silêncio entre faixas, ouço baterem com força na minha porta. A técnica desta gente para as vendas equipara-se à minha técnica de "Sozinho em Casa III", mas vencem-me pelo cansaço. Lá vou eu abrir. Eram dois vizinhos meus, com ar preocupado, pedindo muitas desculpas pelo incómodo. E eu a pensar porque é que bateram na porta blindada em vez de usarem esse advento chamado campainha. Percebi antes de perguntar: a electricidade do prédio estava cortada. Ok. Havia uma fuga de gás. Ok. Era preciso desligar o quadro eléctrico. Ok. Abrir as janelas. Ok. Saír de casa o mais depressa possível. Ok. Já todo o prédio tinha sido evacuado. Ok. Estava um cheiro a gás que não se podia na casa. Ok. Já tinham batido à porta por diversas vezes mas eu não abrira. Ok, portanto: o prédio estava quase a explodir mas eu estava felicíssima a gabar os meus dotes de "fuga ao vendedor", enquanto cantava alegremente: Hate it or love it the underdogs' on top and I'm gon' shine, homey until my heart stop. Mal sabia eu que estava perto. Não só do coração parar mas do prédio todo ir pelos ares! Lá fora, na rua, retroescavadoras, polícias, magotes de gente, bombeiros, ambulâncias. Cá dentro, no quarto, dançava (a expressão aplica-se mais que nunca): como se não houvese amanhã.

PDM existencial

Cheguei à conclusão que não estou a promover o Desenvolvimento Sustentável da... minha própria existência. A dormir mal, ou não dormir, e a comer mal, ou não comer, a este ritmo, transformar-me-ei em breve numa pessoa do terceiro mundo. Vou criar um comité de crise no meu quarto, naquele espaço que sobra entre o armário e a janela e articular esforços no sentido de elaborar um plano de acção e de contingência, de forma a que em breve o meu Produto Interno Bruto não sejam dores de cabeça, de estômago, e olheiras, e de modo a que a balança, não comercial mas digital, se equilibre finalmente. Antes que seja necessário chamar o Salazar, que já conta com tantas solicitações este ano... Diz-se até que o seu consultório tem uma lista de espera maior que o da Dra. Isabel do Carmo. Posto isto, vou retirar-me, porque tenho plenário marcado agora às 4:30h na presença da minha almofada. Vamos elaborar o Plano Director Municipal da minha vida. Diz que vai ter direito a rotundas, fontes luminosas e até jardins. E, porque amanhã é domingo, os trabalhos começarão mais tarde. Mas só por ser domingo. Juro solenemente.

Ideias Margão

Estava há pouco a olhar para um pacote de oregãos (há quem contemple paisagens e quadros, eu prefiro embalagens, sendo que neste caso nem deixa de ser uma natureza morta, o óregão) e reparei numas letrinhas na parte de trás que diziam: Ideia Margão - corte rodelas de tomate e queijo fresco e junte-lhes óregãos! Bemmm... margão, deixe-me dizer-lhe: que ideia luminosa! Nem sei como partilham uma informação tão preciosa assim, em meros rótulos que podemos adquirir por meia dúzia de cêntimos. O perigo é se a moda pega e todas as marcas começam a revelar assim grandes segredos da humanidade, por dá cá aquela palha. Já estou a ver: embalagens de leite com "Ideia Vigor - despeje e coloque num copo, ou até numa caneca", ou até manteiga Mimosa onde possa ler-se "Ideia Mimosa: aqueça uma fatia de pão de ambos os lados, até mudar de cor e depois ponha manteiga em cima". Chegará até o dia em que veremos "Ideia Tenório (eu queria um pretexto para falar em Tenório, já arranjei) - junte maionese ao atum e seja o primeiro criador de uma iguaria à qual pode até chamar, numa de inovar, pasta de atum. Sublime, não?".
E nesse dia darei por mim a responder a uma lata de atum e a dizer "olhe que não sei, Tenório, tenho as minhas dúvidas", enquanto pego num frasco de Hellmans com a outra mão e ele me sugere (sim nessa altura a maionese já fala em voz off mesmo): "Ideia Hellmans: junte-me a ketchup e faremos cocktail!".

A Minha Avó é Uma Artista de Variedades

3º episódio: sobre a PF tv ou "como qualquer pretexto serve para falar da neta".



Vejam até ao fim. Nunca se sabe quando chega a parte verdadeiramente interessante. Muitas vezes, só chega depois de acabar, quando o ecrã fica a negro. Mas não custa tentar!!

Thursday, May 24, 2007

Body Combat de trazer por casa



Reparem na destreza, na técnica apurada, numa palavra: no estilo. Imagino a dor de ser atingido por um uppercut daqueles: deve equivaler a um dia inteiro a ouvir António Calvário em loop. Há quem use armas brancas, estes senhores usam armas gay: aquele jogo de cintura desarma qualquer um. Para quem conhece a coreografia original, nem preciso de dizer mais nada. Mas vou dizer, ainda assim: ginásios do meu país, por favor, obriguem os sócios a irem trajados como o sujeito da direita, e treinem-nos ao mais alto nível para chegarem ao calibre deste quarteto. Nesse dia sim, a Nova Zelândia que nos tema! Até podemos não os ultrapassar em taxa de população activa, mas vamos batê-los aos pontos na qualidade dessa população. Com cada sócio de cada ginásio a converter-se num António Variações do fitness, o sedentarismo vai acabar de vez no nosso país. Porque "quando a cabeça não tem juízo..."


Wednesday, May 23, 2007

Inquietação Vegetal

Porque é que a partir de certa idade toda a gente gosta de arroz de grelos e de couves de bruxelas? Será algum movimento de revivalismo alimentar cujo verdadeiro significado ainda me escapa por completo, por ainda não ter passado da fase bróculos e agriões?

Todas as crianças são suas amigas

Algo está errado com o mundo quando ligamos a televisão às 10 da manhã e vemos o Avô Cantigas a fazer a Revista de Imprensa na SIC Notícias. Posto isto, o que faltará? Ver o Miguel Sousa Tavares a cantar o Gafanhoto Ciclista nas Tardes da Júlia?

Tuesday, May 22, 2007

É um homem? É um bicho?

Sou um homem/Sou um bicho’, de Ney Matogrosso, foram os primeiros versos do agora cantor José Castelo Branco. Nada de mais indicado, se bem que a afirmação devesse passar a uma veemente interrogação. Não sei se é so de mim: ainda não percebi se é um homem ou um bicho mas inclino-me mais para a terceira hipótese.
Pois é, acaba de chegar mais uma estrela cintilante ao panorama musical português. Arrisco mesmo dizer que era a estrela que nos faltava. Vem completar a constelação Ursa Maior em que todos nos movemos, ao som dos Mickaeis Carreiras desta vida.
“É salutar conseguirmos exprimir com o que Deus nos deu: o poder de cantar. Penso que a partir daqui, dos primeiros passos, vão ver o primeiro dente, as primeiras correrias”, afirmou o grande artista. Meu amigo, esse é mesmo o problema: já lhe vimos demasiados dentes (coroas e implantes incluídos) e quanto a correrias não vamos nem falar, ok?
Mas o pormenor mais delicioso (escrevo e simultaneamente repugno-me por juntar no mesmo post as palavras "Castelo", "Branco" e "delicioso", sem estar a citar a receita de Farófias da minha avó) é o facto do "cantor" ter como manager Luís Jardim, que afirma que "a Madonna também não tinha nada." Assim de repente não vejo grandes diferenças entre Madonna e Castelo Branco, de facto, a não ser a masculinidade é claro - Madonna dança o Hung Up de forma bastante viril. Curioso que o temível madeirense diga que "em Portugal temos vergonha de aceitar os excêntricos", logo ele que tantas aberrações recusou enquanto júri dos Ídolos. Perante isto, dá vontade de dizer: Bubacar, podes voltar, já vai dar!
Quem sabe não poderão ir ambos em digressão... Grandes concertos se esperam, ainda este ano. Já estou a imaginar a Lady Betti na primeira fila, empunhando um cartaz: "José, faz-me um... funeral digno!".

Pensamento de Outro Dia

Estava outro dia a pensar (sim, aconteceu) naqueles conceitos abstractos (e um bocadinho inúteis também) que tentamos definir de forma exacta ao longo de toda uma existência. Como a amizade, por exemplo (podia ter sido qualquer outra coisa, como a performatividade política ou a oxidação dos metais, mas para já amizade serve). E descobri a pólvora. Estou capaz de explicar, melhor do que qualquer dicionário (Liliputs e Larousses incluidos - e sim, isto foi só uma desculpa para poder escrever a palavra Liliput) - o que é isso de amizade.
Ter um amigo a sério é ter a certeza que ele vai estar no nosso casamento, mesmo sem fazermos a mínima ideia se vamos casar. Aliás, melhor: é ter a certeza que ele vai lá estar e saber que é muito pouco provável que venhamos a casar-nos. Bem, reformulando uma última vez: eu não me vou casar e, ainda assim, há meia dúzia de pessoas cuja debilidade emocional e mental me leva a crer que vão acompanhar-me por longos anos. Sem bouquet, sem bolo de noiva, sem leiloar da liga, nada de charutos para os senhores e leques para as senhoras, e eles ali, estoicamente. São amigos, caraças. Amigos! Está definido.

Friday, May 18, 2007

Quem quer ser mecânico?

Não percebo porquê tanta celeuma com os salários dos futebolistas quando os verdadeiros magnatas portugueses são outros. Os dos carros. E não me refiro a fórmula 1, mas sim aos mecânicos. A cobrarem a modesta quantia de 40 euros por 5 minutos de mão-de-obra, acho que o próximo namorado da Merche vai ser o Luís Jorge, da Volkswagen. Para quê procurar colares de diamantes no estrangeiro se eles podem estar ali mesmo, na Santogal de Alfragide?

Thursday, May 17, 2007

A Minha Avó é Uma Artista de Variedades

Segundo Episódio, também chamado de "Atestado de Sanidade".

Saturday, May 12, 2007

Vem aí...


E dia 15 poderemos enfim dizer coisas como "Clica aqui a ver se eu deixo, Zé Tó" ;)
Quanto a ti, podia desejar-te "melhoras" mas desejo é "mais horas" - a dormir! Porque a partir de dia 15 vai ser preciso estar bem acordado para ver.
Como diria o grande Jorge (Gabriel): Até jááá....

Tuesday, May 8, 2007

ESTREIA - A Minha Avó é Uma Artista de Variedades

Aqui fica o primeiro episódio desta série de culto (embora seja um culto unipessoal).
Até porque é sempre bom lembrar datas históricas como a comemoração do nascimento de ... Joana Marques, alguém muito querido do Monstro Bolero.

Sunday, May 6, 2007

Feira Popular

Rui Santos (comentador desportivo da SIC Notícias que transporta consigo dois "sonhos de menino" nunca concretizados: ser analista político para usar palavras caras ou apresentar programas matinais para ter melhores combinações óculos-gravata do que o Goucha), sobre Alex Ferguson:
"Nunca entrou em carrosseis dialécticos."
Isto leva-me a imaginar toda uma Feira Popular da Retórica e Argumentação, com uma montanha grega em vez de russa, uma Mansão de Immanuel Kant em vez da Casa do Terror e uma banca da Família Hegel, que em vez de farturas vende tese, antítese e síntese.

Tuesday, May 1, 2007

Nós e o Amigo Simão

O meu telefone toca, com um toque que não é meu, que nunca me lembro de lá ter posto... Ainda assim, o nome que lá aparece é familiar. Atendo. Uma na sala, com qualquer coisa de urgente para me dizer. Faço-lhe sinal para esperar, estou a ouvir a tradução da frase do outro lado: afinal a frase codificada parece querer dizer que ela comprou uma casa (como é que eu não percebi antes?). A minha mãe não quer esperar mais, começa a gritar, a dizer que não arrumei a cozinha, que estão raspas de limão (?) por todo o lado. Eu tenho de interromper o telefonema por instantes para lhe dizer que "já vou". Mas eis que aparece, a meu lado no sofá, alguém para me ajudar - o Simon Webbe! Sim, esse mesmo, o senhor do "No Worries", a quem eu chamo de Simão e parece ter andado comigo na escola. Ele levanta-se e vai arrumar a cozinha, para sossego da minha mãe. De volta ao telefonema comento com a minha amiga que se o Simão ainda fala connosco, não deve andar com ninguém... Ela concorda. Tudo parece fazer muito sentido.
Até eu acordar.
Com noites assim como é que eu não hei-de acordar cansada?
Tentei interpretar este caos.
1º - "sonhar que recebe um telefonema significa que está à beira de ganhar uma quantia considerável com um invento afortunado". Tendo em conta que o Thomas Edison já inventou a lâmpada, e eu não tenho nada em vista, não sei o que será.
2º - "Sonhar com limões denota desavenças na família" - então sonhar com uma mãe que grita porque abandonámos raspas de limão (ou seja, limões dilacerados) na cozinha, deve significar que a minha família está prestes a explodir, desfazendo-se em cinza.
3º - desisti de tentar interpretar este caos, porque não quero saber o que significa sonhar com apartamentos novos e Simon Webbe.




Ela vende TUDO


Foi isto que encontrei hoje quando cheguei ao carro. E tive medo, confesso. O que será que faz esta simpática senhora, digna de anúncio da Neoblanc, numa "Casa aberta" em que espera por nós e nos pede para levarmos "um amigo..."? Juntando a isso o melhor slogan de sempre (Ela vende tudo e não fica nada), o medo aumenta. Chega a assemelhar-se a pavor mesmo. No próximo dia 5 vou fazer os possíveis por me manter longe da dita morada. Porque existem duas hipóteses: ou perco um belo lanche em que esta Avó-Neoblanc brinda os convidados "e amigos" com copos e copos de Sun de laranja, bolos Nestlé e bombons, ou... não sobrevivo para contar (nem eu, nem os amigos que levar comigo).
Prefiro não arriscar, apesar dos WC's remodelados serem tentadores...
Eu nem nunca gostei de Sun de laranja...

Friday, April 27, 2007

O Irmão Perdido

Encontrei. Depois do resto do mundo, é certo, mas encontrei. Encontrei o irmão perdido dos Scissor Sisters. Ou a irmã, neste caso. Mika, de seu nome. E, felizmente, para bem de todos nós, não tem nada de parecido com Mickael Carreira, a não ser quatro letras em comum (ok, e um penteado abichanado). Resta deixar os parabéns à mãe dos Scissor Sisters, que ganhou a pole position das mães-estrela, pelo poder de antecipação. Reparem: as mães de hoje procuram desesperadamente filhos para adoptar, em todos os países e mais alguns (de preferência exóticos). A mãe Scissor (como carinhosamente resolvi chamar-lhe agora) está muitos passos à frente. Todos sabemos que é muito melhor dar do que receber. Então para quê procurar desalmadamente crianças, se podemos simplesmente espalhar as nossas por aí, oferecê-las ao mundo? Foi o que fez a amável senhora ao deixar Mika em Beirute. Ele cresceu um bocadinho, e apesar de nunca ter ultrapassado a fase da mudança de voz, encontrou o caminho de volta para casa, e para outros sítios também. E ainda bem, porque assim chegou até Portugal.


E agora era a parte séria do post, em que eu falava da sonoridade, do timbre, dos falsetes, da performance, da orquestração... Mas vou substituí-la pela parte sincera (e também pacóvia) da questão: "eu gosto do Mika porque é feliz e contente" (uma das críticas musicais mais incisivas de sempre).

Wednesday, April 25, 2007

Pensamento do Dia

Os comunistas estão para a política como as carmelitas descalças estão para a religião.
Que outra razão que não um voto de pobreza explica aquelas camisas?

António Sala

O sono faz destas coisas. Ler a capa do jornal segundos depois de ter acordado construiu um dos momentos mais gloriosos do meu dia. Vi, em letras gordas: "António Sala: o jornalista que viveu um ano com skinheads". E fiz logo o filme todo. António Sala a partilhar um beliche com um neo-nazi, e a acordá-lo com a locução do "Despertar", correndo depois pelo corredor, destapando os restantes cabeças rapadas enquanto os desafia para jogarem ao "Jogo da Mala". Enquanto tomam o pequeno-almoço e António Sala molha os seus fartos bigodes com o melhor leite meio gordo espanhol (ok, isto são mesmo coisas de quem acabou de acordar e está a tentar ler o jornal), fazem uma sessão de "Palavra Puxa Palavra", onde os concorrentes têm de fazer famílias de palavras com citações do Mein Kampf.

Antes de irem todos engraxar as botas de cano alto, havia ainda tempo para uma pequena tertúlia musical. Com António Sala cantar "Uma Canção Amiga", antes dos cabeça (rapada) de cartaz Bullet 38 entoarem o "somos as novas SS a marchar, a nova elite contra esta podridão, a verdadeira estirpe desta ariana nação".
Posto isto, olhei de novo para o jornal: "António Salas." Como um S pode fazer tanta diferença, e destruir tão rudemente um sonho bonito. Encolhi os ombros e fui tomar banho.

Lisboa à Noite

Eu e uma amiga cujo nome, por razões de segurança, não posso revelar, temos por hábito passear pelo maravilhoso sistema de saúde português. Digamos que... temos cartão da casa. É da ADSE, e dá direito a uma garrafinha de soro. Esqueçam o Lux, esqueçam o poker de dados, esqueçam a sessão da meia noite. Madrugada lisboeta a sério é na sala de espera do São Francisco Xavier.
A desbunda começa desde logo naquilo que dá pelo nome de triagem. É como se fosse o bengaleiro lá do sítio. Com a diferença de que não podemos deixar lá nada. Aliás o cartaz é bem explícito: não se responsabilizam por objectos perdidos: malas, carteiras, telemóveis, relógios, próteses! Já estou mesmo a ver alguém ir lá queixar-se de que perdeu o braço direito, e a enfermeira responder "Meu amigo, já sabe, qualquer prótese que abandonem aqui vai directa para o lixo. Esta senhora que saiu agora deixou a placa dos dentes, quer aproveitá-la?".
Segunda paragem: o preenchimento da ficha. Podemos dizer que este guichet corresponde ao espectáculo de transformismo lá do sítio. O senhor dentro do cubo de vidro não faz danças exóticas, nem sequer canta uma Barbara Streisand que seja, mas nota-se que tem potencial para isso e muito mais. Não sabia da ficha, não encontrava a morada, nem a localidade, e de repente exclama, como se tivesse tido uma iluminação superior (de um George Michael talvez): "Ah já sei! Vive na Rua do Guarda-Jóias!??". Perante a resposta negativa, expressou um desiludido "oh.." A questão que se impõe é: porque haviamos de viver na morada mais gay de Lisboa?? Realmente deve ser o sonho de qualquer homossexual poder dizer que mora no guarda-jóias. Tem glamour!
Segue-se a antecâmara do prazer: a sala de espera. É a pista de dança do hospital. Só tem uma diferença: ninguém dança. Pormenores. Há um DJ que diz "Umblina Alice ao Balcão Mulheres", entre outras coisas igualmente entusiasmantes, tais como "Cristina BANHA (pausa-durante-a-qual-a-locutora-se-diverte-à-grande-com-o-facto-de-haver-alguém-chamado-banha).... Gonçalves, ao Raio X". As personagens chamadas eram de tal forma exóticas que pensámos e não teria sido melhor darmos um nome artístico, para podermos ser chamadas ainda desse dia. É óbvio que com o mísero apelido Santos, só chegou a nossa vez na After-Hours da sala de espera. O que nem foi mau de todo. Porque tivemos direito a ouvir um Remix, entre o senhor que ressonava encostado à cabine telefónica, o que contava as aventuras e desventuras da sua cadela (à qual ele levava "inclusivamente uma sandes de fiambre e um café todas as manhãs"), e o assentir de uma africana, que apenas dava a deixa para o discurso da Rotweiller continuar.
E no fim disto tudo, chegamos a quê? Ao Raio-X, pois é, que no meio de tanta animação é o que menos importa. Podia fazer uma piada parva e dizer que já não saiu de lá de mãos a abanar, mas com uma tala no dedo indicador, que tem bem mais estilo. Mas, como disse, seria uma piada parva.

Sunday, April 22, 2007

Sardinha

Um inocente inquérito televisivo sobre expressões populares...
Reacções encaloradas dos transeuntes inquiridos...
Até aqui nada de mais... Até chegar a cereja no topo do bolo. Ou a tripa, neste caso.
O jornalista pergunta "minha senhora, já fez das tripas coração?".
A dona de casa, que já estava um pouco indignada depois do mesmo indivíduo lhe ter perguntado o que era "olho gordo" e "um zero à esquerda", fica quase arroxeada enquanto lhe grita aos ouvidos "Fazer das tripas coração? Eu? Nunca. Se não tenho dinheiro para bife compro sardinha!".
Isto sim, é sabedoria popular. Mai'nada.

Porque Será...


... que nas vésperas de exames, quando é hora de estudar afincadamente... se torna urgente arrumar todas as meias da nossa gaveta por cores e padrões? Não sei mas acontece-me recorrentemente. Losangos à frente, azuis no meio, com riscas atrás...

O Rio Corre

E de súbito, enquanto olho para o livro (fechado) e penso que (mais tarde ou mais cedo) terei de o abrir... sinto-me mais identificada do que nunca com Fernando Pessoa.

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Mas o melhor é deixar de partilhar este prazer com Pessoa, senão corro o risco de os meus pais me questionarem...

Quando é que o cativeiro
Acabará em mim,
E, próprio dianteiro,
Avançarei enfim?
Quando é que me desato
Dos laços que me dei?
Quando serei um facto?
Quando é que me serei?

... e quererem saber quando é que acabo o curso, quando acabam os exames e as propinas que eles me pagam. E aí eu digo-lhes...

I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.

Para lhes mostrar que, mesmo que o exame de inglês não corra bem, o Fernando Pessoa também não precisava de saber muito de phrasal verbs ou reflexive pronouns para escrever uns poemazitos.

E com isto já passaram mais alguns minutos de livro fechado.
"Ai que prazer!"


Friday, April 6, 2007

Bilingue III (e mais virão)

Há pessoas que, ainda assim, tentam traduzir aquilo que já vinha traduzido. Ignorando todas as mensagens, subliminares ou directas, profundas ou superficiais, há verdadeiros criadores que pegam nas letras das músicas e... criam uma nova. Muito melhor, por sinal! Senão vejam a harmonia, a eloquência, a beleza desta canção. Até vou tentar cantá-la assim, porque estes versos estão muito melhores que os originais.

Land Down Under (tentativa falhada - ou muito conseguida - de tradução)
Men At Work

Viajar no fritado para fora faz saber.
Em uma cabeça da fuga do hippie completamente do zombie.
Eu encontrei-me com uma senhora estranha, ela fiz-me nervoso.
Fêz exame de me dentro e deu-me o pequeno almoço.
E disse, \"Do que você vem de um? da terra para baixo abaixo \
"Onde o fulgor e os homens da mulher pilham.
Não pode você ouvir-se, não pode você ouvir o trovão?
Você melhora o funcionamento, você melhora a tampa da tomada.
Ruptura fina de um homem de Brasil,
Era seis pés quatro
E cheio do músculo.
Eu disse, \"Do que você fala meu? da língua \
".Sorriu apenas, e deu um sanduíche do vegiemite.
E disse, \ "mim vem de um sob da terra para baixo \
"Deixou-nos fluir, e chaunder, não pode você ouvir-se, não pode você ouvir o trovão?
Você melhora o funcionamento, você melhora a tampa da tomada.
Jantando uma tabela em Bombaim, com um slapjaw e para dizer não muito.
Eu disse ao homem, \"Are você que tenta tempt me? \
"Porque eu venho da terra da abundância?
Disse, \"Do que você vem do? da terra para baixo abaixo \
" Yea de Ohh, yea,Onde as mulheres incandescem e os homens pilham.
Não pode você ouvir-se, não pode você ouvir o trovão?
Você melhora o funcionamento, você melhora a tampa da tomada. (5x)

Pérolas autênticas! Quem nos dera ter letristas capazes disto. Poetas que melhorem o funcionamento, que melhorem a tampa da tomada, enquanto jantam uma tabela em Bombaim (talvez com arroz basmati). Artistas cheios do músculo, viajando no fritado, com uma cabeça da fuga do hippie, completamente do zombie. Quem dera...

Bilingue II


Convido-vos a ouvir a música que se encontra aqui ao lado, nessa esplendorosa barra azul berrante. Land Down Under, dos Men At Work. Já que estamos numa de traduções, reparem que o próprio vocalista da banda se lembrou disso, há muitos anos atrás. Ele é um verdadeiro visionário. Para que a sua música possa ser realmente universal, ele utiliza várias línguas. Eu, como poliglota que não sou, só consigo identificar duas: o inglês-com-sotaque-australiano e o português. Sim, isso mesmo. Português. Ouçam lá a primeira frase: "cavalinho na feira a comer".
Ah pois é. Mensagens subliminares. Mensagens para o mundo. Mensagens plenas de sentido. O cavalinho. A feira. E a comida.

Bilingue I

Uma destas manhãs. Numa dessas estações de rádio. Nada recomendáveis, por sinal.
"Vamos agora ouvir uma música dos Além Mar... Deixa-me Olhar, em português". Havia de ser em quê? Swahili? Será que, daqui para a frente, teremos que traduzir todos os títulos de músicas portuguesas? Já estou a imaginar...
  • "Vamos agora ouvir André Sardet com "It Was Witchcraft"
  • "Deixo-vos com Paulo Gonzo e "Forbidden Gardens"
  • "Estamos já a ouvir os Clã - To dance in the shaking rope"
  • "No ar: Dulce Pontes, a cantora dos ciosos - "The song of the sea"
  • "Mais música portuguesa - Madredeus com The Shepherd"
  • "E agora, os The Gift (by the way: A Prenda), cantam "easy to understand"

It's a robbery

"Português que assalta banco em Miami alega que ia só buscar uns papéis".
É óbvio. Quem pensou que teria sido outra coisa?
Eu, por exemplo, na segunda-feira tenho de ir à Caixa Geral, que o meu multibanco deixou de funcionar. Vou só trocar de cartão mas pelo sim pelo não levo uma caçadeira. Ah, e um intérprete, que apesar de em Algés falarem português, gosto de fazer os meus assaltos em italiano. Tem mais estilo. Dá um ar "assim-mais-máfia".
Assaltos?
Quem falou em assaltos?
Leram mal. Eu vou apenas tratar de burocracias.
A mala cheia de dinheiro vem por acréscimo. E os polícias a cercar o quarteirão? Pura coincidência, devem estar à espera que saia pão quente no Pingo Doce.

Coca

"Telma Monteiro bateu a adversaria por koka"? (vantagem mínima no judo, dizem eles). Pois pois, aquele penteado nunca me enagnou. Não sabia é que isso não acusava no controlo anti-doping. Avisem o Kenedy e o Fernando Couto. Esse pessoal do futebol ainda tem muito que aprender com os judocas...

TAP

Um olhar mais desatento sobre a capa do Público assustou-me: "TAP é a segunda pior companhia a perder malas". Ora este "pior" levou-me a crer que os incompetentes da TAP perdiam poucas malas, tão poucas que eram praticamente os menos eficazes a figurar nesse ranking. Não podia crer que tal estivesse a acontecer, em pleno século XXI, neste belo Portugal que sempre nos brindou com tão boas posições em rankings de tanto ou maior interesse. Li então com mais atenção e logo o meu coração descansou. Afinal o título estava mal escrito, pouco explícito, a brincar autenticamente com pessoas patriotas como eu. Afinal a TAP é a segunda MELHOR a perder malas.

Perde malas como quem vai de caminho. Eu sabia que não deixavam os créditos portugueses por mãos alheias! Já os estou a ver, a enviar malas de russos para a Austrália, ou pertences dos espanhóis para o Iraque (mesmo sem haver vôos para lá, os portugueses conseguem o impossível). Apenas uma coisa me desilude: como é que deixam os penteadinhos da British Airways ficar à nossa frente? É pior do que empatar com a Sérvia, deixar os mais pontuais dos europeus perder "23 em cada 1000 itens"! Por isso deixo aqui o meu apelo: funcionários da TAP, objectivo para 2007: 24 em cada mil, no mínimo. Vamos mostrar-lhes quem manda! Quero ver esses trolleys no ar! A voar para Porto Galinhas como quem vai numa viagem de finalistas, mesmo que o seu dono esteja a ir para uma reunião em Paris. Eu sei que vocês são capazes.

Botox

Cinha Jardim será sempre alguém que gosto de citar. Gosto, pronto. E como tal, citarei.
"Botox é de tal maneira simples que é como ir ao dentista".
Dúvida: será que quando chega à Corporacion Dermostetica, Cinha Jardim abre uma autêntica "boca de leão" e diz "doutor veja lá atrás que acho que me caiu uma coroa, e estou com sensibilidade dentária"... ?

A propósito dos radares em Lisboa...

... um transeunte foi entrevistado...
"Sou completamente contra a colocação de qualquer tipo de radares porque isso limita a minha vida privada."
A questão é: alguém explicou ao senhor que são radares controladores de velocidade? No trânsito? Em Lisboa?
Ele provavelmente pensa que são radares colocados à porta do seu prédio, para saber quantas vezes vai a vizinha do r/c à sua casa, quanto tempo por lá se demora e que ruídos são ouvidos durante a sua estadia.
Fazem perguntas e "não explicam"... Estão à espera de quê?

Thursday, March 29, 2007

Celina é o Tubarão!

Isso sim, valia a pena. Seria uma telenovela inovadora. Ver televisão passava a ser mágico. Até mesmo aquela que fazem na TVI. SE a empregada-doméstica-fardada-em-vias-de-extinção (cujo habitat natural e único são os estúdios da Fealmar), que só entra em cena para anunciar "o senhor doutor", para dizer bom dia e boa tarde e para trazer croissants com fiambre, pêras abacates e bolos de noz que nunca ninguém come, SE ela, de seu nome Celina, fosse o tão procurado Tubarão de "Tempo de Viver", aí sim. Valia a pena.

Ponto de Ordem

Antes mesmo de incorrer em falta outra vez, vou já pedir desculpa.
Desculpem!
É que vou ter de referir Cláudio Ramos, pela segunda vez, neste ilustre espaço (que corre o risco de se tornar menos digno que a Tertúlia Cor-de-Rosa, a continuar assim...).
Mas, para compensar, prometo que não vos vou brindar com mais nenhuma fotografia do senhor. Até porque uma basta para compreendermos tudo. Tudo. Aquela expressão de cão-abandonado-que-na-verdade-é-um-rafeiro-mas-sonha-ser-um-grandanoir-com-coleira-Versace, aquela poupa, aquele beicinho, aquele vazio que lhe passa atrás dos olhos. Se juntarmos a essa imagem aquilo que descobri há poucos dias (onde andei todos estes anos?!) é um novo mundo que se abre: chama-se Eu, Cláudio e é um blog genial. Esqueçam o Abrupto, esqueçam o Blasfémias, esqueçam ATÉ o Monstro Bolero. Apaguem todos os registos, o histórico, os favoritos. A blogosfera agora só tem lugar para um. Só tem lugar para isto:
  • "Roma é encantadora, mas não fundamental. Pode até ser, dependendo do que se vai fazer" [reparem na convicção: primeiro é fantástica, depois dispensável, depois é... conforme]
  • "Não que nunca tenha visto um strip, ou bebido até cair ou talvez feito muitas loucuras sexuais, mas a verdade é que a minha prioridade não é contá-las no dia seguinte numa esplanada. Acho isso idiota, só pode vir de gente geneticamente idiota" [idiotice genética? Era um nome melhor que Eu, Cláudio. Mais sonante].
  • "Vamos despejar o lixo à rua e passear uma cadela inconveniente. Tu passeias a cadela, eu passeio-te a ti"
  • "O chá está quente mas mais quente que o chá estou eu. Ardo por dentro porque me apetece devorar-te com a mesma velocidade com que me dou ao luxo de saborear uma queijada (...) Desejei comer muitas mais queijadas esta tarde com a mesma vontade com que desejo comer-te a ti"
    [não, não me esqueci de um comentário sarcástico nas últimas citações. Simplesmente não consigo. Engasguei-me. Com um travesseiro de Sintra]
  • "Já chorei tantas vezes de emoção quando te ouvi dizer isso pela primeira vez..." [em que é que ficamos, amigo? Foram várias vezes ou só da primeira?]
  • "A minha cor favorita é o azul escuro. Gosto muito de esparguete carbonara (...) gosto de slips com cores. Detesto meias caneladas" [folgamos em sabê-lo].

E, por agora (está desde já prometido que trarei muitas mais pérolas), deixo-vos com a melhor, para que fique claro que esse tal de Claúdio Ramos até tem sentido de humor. Bem engraçado, sim senhor, vejam só: "Não gosto do barulho. Detesto histerismo gratuito!"

Globos de OIRO I

Uma cerimónia desta dimensão merece uma rúbrica especial no Monstro. Com tudo o que de bom (e mau) essa relação implica. Vem aí mais uma sessão de Globos de Ouro. Ainda antes de saber quem são os vencedores, a organização já ganhou um prémio. Atribuído aqui e agora, por mim: o das nomeações mais ridículas de que há memória (e lembro que o Monstro ainda não está em idade de tomar Cerebrum).
A categoria já nao era, de si, auspiciosa: melhor vilão?! Mas os nomeados conseguem tornar tudo muito pior. Senão vejamos:

Cláudio Ramos. A sua simples presença em qualquer coisa que se assemelhe com um programa de televisão já é... confrangedora. Cada vez que o via aparecer, como por magia (negra) no meu écran, sentia invariavelmente aquele sentimento de vergonha alheia, aquele impulso incontrolável que nos faz pensar em dois objectos: mordaça para a boca e corrente com esfera de chumbo para amarrar ao pé, e uma paisagem: o azul e tranquilo Rio Tejo. Ultrapassados estes momentos de pura dor, conseguia ouvi-lo por alguns minutos, porque se torna sempre incrivelmente divertido, do alto da sua, também ela incrível e incompreensível, soberba. Mas tudo isso era dantes. Agora o Senhor Cláudio é digno da minha vénia, se quiser vir cá a casa comentar os últimos acontecimentos do cabeleireiro da esquina tem o meu ámen, se quiser dar-me uma bofetada, receberá a outra face, com certeza. Porque agora ele é nomeado para MELHOR VILÃO. E a questão que fica é: como é que Portugal quer chegar a algum lado com vilões com esta cara? (já para não falar na voz, na indumentária, nos modos, e em todas aquelas coisas que me fazem desejar ver a água borbulhar no Tejo). Enquanto os outros têm um Freddy Krueger, um Darth Vader, um Sylvester Stallone, ou até um Zidane que seja... Nós temos Cláudio Ramos? A disputar tão honroso troféu com umas bruxas da Floribella e um padre improvisado de apelido Breyner? É caso para dizer que estamos perante um Nico d'Obra... para não dizer muito, muito, mas muito pior.

Global Meeting

Numa destas tardes, em que não tenham nada mais interessante para fazer, experimentem ligar para instituições oficiais e não oficiais, empresas públicas e privadas, órgãos sociais ou sociedades anónimas, qualquer coisa que tenha existência singular nas finanças como pessoa colectiva (que belo e poético trocadilho de tesouraria!). Por outras palavras: quando forem quatro da tarde tentem ligar para QUALQUER lugar para tratar de QUALQUER coisa com QUALQUER pessoa, neste que não é um país QUALQUER, mas sim Portugal. E talvez possam sentir o mesmo que senti hoje, ao fim de uns vinte telefonemas: o país está em reunião. Estão todos numa reunião, uma espécie de global meeting, talvez convocado por uma entidade superior, porque para os portugueses obedecerem de forma tão rígida, não vejo outra hipótese. Não interrompem a bendita reunião nem por nada: nem uma ida à casa-de-banho, nem um café, e muito menos um telefonema urgente.
É um sentimento de exclusão terrível: todo o território nacional está reunido e só eu é que não fui convocada.

Wednesday, March 28, 2007

And The Winner Is

Num momento em que tanto se fala da "vitória de Salazar", a única coisa que tenho a dizer é: meus amigos, vocês ainda não viram nada! Isto foi só o começo. O primeiro de muitos concursos em que o "nosso António" se lembrou de participar! Agora que percebeu que leva quase tanto jeito para a coisa como para conseguir superavits nas finanças públicas, fontes próximas de Salazar (vizinhos de campa, quiçá) contam-nos que ele irá lançar-se numa nova carreira, muito em voga neste "Portugal Moderno": papa-concursos.
É já na próxima emissão de "O Preço Certo em Euros" que vamos poder ouvir a voz sonante de Miguel Vital anunciar: "António Salazar, você é concorrente!". E lá estará ele, a correr saltitante, bancada abaixo, a carregar no botão com a firmeza de quem segurou a pasta das finanças, a adivinhar gloriosamente a montra final. Não sem alguma hesitação, é certo. "Hum... isso de ser em euros é que me faz alguma confusão. Mas são 18 mil reis!".
E ainda há toda uma grelha de programação a percorrer...

Sunday, March 25, 2007

Afinal há monstro!

Como Monstro que sou, gosto de ver que há outras monstruosidades a ter lugar na televisão portuguesa. E que lugar! Acabo de descobrir que afinal na Bela e o Mestre também há monstros. Dois! E estão no júri. O que dizer da camisa de manchas azuis-verdes-vermelhas-amarelas-roxas-e-outras-cores-que-não-consigo-sequer-definir de Rui Zink? E pior, o que dizer das meias liláses, em estilo "suquete" de Clara Pinto Correia?

Acho que hoje estou a ultrapassar largamente a quota de TVI a que me comprometi. Talvez amanhã acorde a ver raios de luz, elefantes cor-de-rosa a marchar pelo corredor e ouvindo genéricos de telenovela em fundo. Talvez. Mas que se lixe.

Eurico Cebolo é Rei e Senhor

Este é, provavelmente, o dia mais importante deste blog. Ou então não. Mas é o dia em que recebemos uma figura ilustre. Muitíssimo ilustre mesmo, embora eu a tenha conhecido há poucas horas também. Mas basta vê-lo uma vez para nunca mais o querer largar. E muito poderia eu dizer-vos sobre Eurico Cebolo. Mas não vale a pena, porque no exacto momento em que me converti, em que me tornei mais uma fã descontrolada da verve deste senhor, alguém sentiu o mesmo que eu. E como boa portuguesa que sou, se alguém já fez o trabalho por mim, escuso de repetir! So, check it out!
Obrigada, Eurico Cebolo. Aí vou eu, em busca da restante colecção por essas prateleiras do IKEA fora... aí vou eu, na esperança de encontrar títulos como "Casei com a minha irmã" ou "O Falo Perdido", que me desperta especialmente a curiosidade por ter um quê de Indiana Jones... Aí vou eu, sedenta de mais capas ao melhor estilo "Anita vai ao Circo", pintadas pelo próprio autor. Porque o artista é um bom artista. Ele ganha festivais da canção em Aranda del Uero, ele grava músicas de Natal no sintetizador, ele vende histórias aos quadradinhos desde menino e moço aos colegas mais abastados, ele deixa-me assim, cheia de nova horas, à espera de mais.

Gandhi

Programas como "A Bela e o Mestre" têm esta incomensurável vantagem: basta ver trinta segundos para captar a essência da coisa, rir desavergonhadamente e seguir para outro canal. Claro que isto comporta alguns perigos: uma pequena distração poderá ser fatal. Mais de dois minutos sem mexer no telecomando podem provocar lesões irreversíveis no cortex cerebral. Ainda assim, arrisco. E até ver, vale a pena. Trinta segundos no fim-de-semana passado foram o suficiente para ver uma loira (duvido que isso seja um traço distintivo por lá) e um nerd (tenho ideia que também não o vão identificar desta forma), cuja identidade vou manter protegida, por assumido desconhecimento, a contemplarem uma fotografia de Mahatma Gandhi. Olhavam para ela como boi para palácio, claro está. Nem as vestes características ajudavam. Nem o facto de ser indiano. Parecia não haver volta a dar. Eis senão quando Zé Pedro (o mais aclamado apresentador de televisão, com pós graduação em jumentos - depois de privar com Pavaroti, o burro falante, tenta agora domar um tal de Euribor), traz a palavra da salvação. Não, ele não disse que "a única revolução possível é dentro de nós", pois citar Gandhi ou Scolari para aquela senhora ia redundar exactamente no mesmo. Zé Pedro deu uma singela, mas mágica, pista: "fez uma greve de fome". E a "bela" logo exclamou: "Gandhi!" como se, agora sim, fosse uma evidência que aquele senhor de branco não era vendedor de flores nas Docas. E pergunto eu: não havia mais probabilidades de ser um operário fabril de Condeixa em vésperas de encerramento da unidade industrial?

Tuesday, March 13, 2007

50 Cent em Portugal

Estes senhores são absolutamente geniais. Depois de terem inventado a forma mais vistosa, escandalosa e óbvia de lavar dinheiro, depois de terem inventado inclusivé artistas internacionais, como Laura Pousini, Tracy Shapman ou Rolling Stone (o próprio), inventaram agora o melhor anúncio de sempre! Mais credível era impossível. O próximo espectáculo a (não) realizar é, nada mais nada menos, que: 50 Cent e Amigos! Parece mesmo um slogan do Bob o Construtor ou da Disney no Gelo, nada mais acertado para publicitar um homicida norte-americano! O que vale é que ele não vem, de qualquer maneira... Senão já estava a imaginá-lo, a entrar no Estádio do Restelo (acharam entretanto que o Pavilhão Atlântico era demasiado vistoso, qualquer dia estão a anunciar espectáculos no Auditório Lurdes Norberto), continuando: a entrar no estádio do restelo com um sininho na cabeça e umas sandálias encarnadas, num híbrido Gangsta-Noddy-Style.
Bem haja Casablanca!

Monday, March 12, 2007

Ligar para trás

As traduções literais do inglês são tão perfeitas, mas tão perfeitas, que até dói.
E foi assim que esta se tornou a frase do dia. A frase de 12 de Março. E por que não "A Frase", pura e simplesmente?
O texto começava bem, prometia: "encontra o rapaz que te chama gira, em vez de boa". Mas o melhor estava para vir. A frase em que entendemos a origem anglosaxónica. A frase em que entendemos, porventura, a essência da vida (amorosa, pelo menos).
"... que te telefona para trás quando lhe desligas o telemovel na cara!"
Genial. A melhor tradução de sempre para "call you back".
É disto que eu preciso. De alguém que me ligue para trás! Sem dúvida! Era esse o problema.

Monstro Bolero VS EMEL I

Um verdadeiro duelo de titãs.
1st round.
Saio da faculdade e, que surpresa! Embrulharam-me o carro. Que simpáticos! Parece um presente gigante, com fita de embrulho brilhante, amarela... linda. E uns não menos bonitos adereços nas rodas. Em plástico, mas plástico do bom, robusto! Ah, e nem se esqueceram do postal de felicitações. Espectáculo. Eu não cabia em mim de contente. Ainda assim reuni forças para me aproximar, lentamente, do carro, já rodeado de transeuntes, curiosos, que espreitavam à vez no vidro, talvez pensando que além de embrulhado, tinha um brinde por dentro, estilo Kinder. De um momento para o outro o meu carro era uma forma de arte, uma escultura urbana, uma instalação contemporânea, em plena cidade. O cidadão que passa, pára e olha. O autocarro de turistas abranda para ver. A excursão de criancinhas toda ela se anima, perante tal visão. E eu, ali. Ainda não cabia em mim de contente. Foi hora então de ligar e pedir aos senhores que viessem desembrulhar o presente. Sim, serviço completo. Fazem e desfazem. E desconfio que até tornam a fazer se pedirmos muito! Ligo para os seus amáveis serviços e dizem-me que ainda não podem desbloquear porque ainda não deu entrada no sistema. Juntam-lhe o esclarecimento: "é que isso foi há menos de cinco minutos". Era ver a minha felicidade aumentar. Mas continuaram dóceis. Até me agradecem por ter usado os seus serviços. Mas eu tinha outra hipótese?!? Há serviços paralelos de desembrulho de prendas alheias? Penso que não. E assim foi. Sessenta euros para abrirem a oferenda, compensa! O que são doze contos quando podemos ter um momento destes, de incomparável beleza, a encher de luz a nossa tarde? Obrigada EMEL. Ganhaste.

Pudim de Claras

É sempre gratificante estar em casa a horas de ver o programa Fátima. Não, não é nenhuma emissão eclesiástica. Mas depois de sair de lá com certeza que Fátima Lopes tem de passar por um confessionário para se redimir dos pecados que comete, ou que diz! Verdadeiras pérolas. Há poucos momentos agradeceu o facto de as receitas do Chefe Hernâni (este nome dá os primeiros contornos rocambolescos à história) terem poucas calorias, porque, nas palavras da própria: "vem aí o verão e temos que manter a fisionomia!". Agora a questão que se impõe: será o pudim de claras com morangos e chocolate do tal Hernâni suficientemente poderoso para alterar as feições do rosto de alguém?! Ainda que esse alguém seja Fátima Lopes, que conta já com 359 mudanças de look, alterações de visual e retoques plásticos? Será? Já estou a ver o slogan: Hernâni, o Terrível - capaz de alterar o seu semblante para todo o sempre com um fricassé de frango rápido e fácil, no microondas, ou uma solha frita com arroz manteiga. Tenham cuidado!

Monday, February 19, 2007

britney

Antes de começar, devo confessar-vos que nunca pensei ter a palavra "britney" presente num dos meus posts, mas garanto que é por uma boa razão! e com isto, já comecei, sem sequer dar conta. mas também vou acabar depressa, o que vos trago hoje é rápido e indolor, como só as pseudo-cantoras pop-kitsch norte-americanas sabem ser!
estava eu a ver o telejornal, quando algo me chama a atenção... algo parvo, como não podia deixar de ser. Uma notícia anunciada da seguinte forma "britney spears rapou o cabelo!"... já estava eu a vociferar, internamente, ou... talvez não, se calhar proferi mesmo uma ou outra palavra exaltada, acerca da imbecilidade do jornalismo português.... perguntando a mim própria, e quiçá a todo o universo, por que raio de motivo é que o corte de cabelo de britney spears tinha "valor-notícia"... quando ela aparece. A própria. The Scraped One! E foi então que percebi. Aquilo de facto merecia uma notícia.
Mas do jornal O Crime...

Thursday, February 8, 2007

rain on me

Existirá alguma coisa melhor do que ouvir um toque semi-polifónico-pseudo-real-dando-ares-de-mp3 às 07h45m da manhã...saír da nossa cama, cuja temperatura é equivalente a um camping gaz...enfrentar o frio do corredor...ensaiar um slalom amador por entre os móveis...hesitar entre o choque térmico e o AVC quando ligamos o chuveiro...ponderar se optamos pelo estilo "chouriça de vinhais" (2-shirts, uma camsiola, um casaco e um cachecol) ou pelo "invernal chic"(uma peça elegante e um semblante arroxeado, com tendência a piorar ao longo do dia)... pressionados pelos nossos maxilares, que nos gritam "estamos aqui!" enquanto os incisivos batem uns contra os outros com violência?!?...
Existirá?!?
Decisões tomadas, recrio a maratona de Londres na minha rua, até atingir, de forma gloriosa e encharcada, o meu não menos glorioso carro. Ligo o rádio, ouço a previsão do tempo para amanhã, e volto a questionar-me : existirá alguma coisa melhor do que isto? Certamente que sim, mas talvez um gorro e umas galochas resolvam a situação.

Sunday, November 26, 2006

Oh Nelly

São momentos destes que nos fazem ficar felizes por ter escolhido a noite de sábado para estar em frente da televisão. Ver a doce Floribella, que fala com as plantas e espalha aos quatro ventos o infortunio dos ricos, fazer uma dupla com a "promiscuous girl", Nelly Furtado, que prefere consumir as próprias das plantas para sentir os seus efeitos alucinógenos, só por si já era a promessa de bons momentos de televisão. Mas se juntarmos a isto facto de estarem a cantar "Maneater", com um grupo de típicos "meninos do coro" (literalmente) atrás, e efeitos especiais dignos de uma Rua Sésamo ou Jardim da Celeste, torna tudo muito melhor! Ao que parece, a mãe de Floribella apressou-se a ligar para os estúdios de Bucelas (não podia deixar de referir este pormenor, também ele delicioso - ser devoradora de homens é uma coisa, mas sê-lo em Bucelas, é outra bem diferente!), afirmando que não quer a filha em "más companhias", e exigindo que retirassem essa "tal de Nelly" dos estúdios, porque caso contrário ainda iriamos assistir a uma "grande desgraça". Não sabemos ao certo que desgraça seria, mais suspeitamos que, seguindo o caminho desviado de Nelly, Flor podia chegar ao cúmulo de se vestir de azul marinho, verde tropa ou quiçá cinzento!! Ao que parece a senhora tinha assistido, há dias atrás, à entrevista que Rodrigo Guedes de Carvalho tentou, em vão, fazer a Nelly, finda a qual ninguém percebeu se ela conhecia ou não as senhoras da ilha Terceira que "andaram com ela ao colo". Percebemos apenas, e finalmente, a razão de alguns hits da açoreana mais canadiana dos Estados Unidos: agora faz todo o sentido que ela acredite que é um pássaro desnorteado ("i'm like bird, i dont know where my soul is, i dont know where my home is"). A avaliar pelos decibeis, e timbre nunca antes ouvido, das suas gargalhadas, penso que a exclamação do seu primeiro álbum (Whoa Nelly!) deve ser substituída por uma interrogação: "OH NELLY! o que é que tu andas a tomar, filha?". É que essa histeria não é nada normal!

Thursday, November 23, 2006

E já que aí estão...

O Monstro esteve "out to lunch" por um período prolongado, eu sei... Foram cerca de 297 horas e 28 minutos. Sabem que demora muito até um monstro ficar "repleto" ou mesmo "satisfeito" (ficar "cheio que nem um porco" está fora de questão!).
Mas preenchi já a folha de justificação de faltas assinada pelo encarregado de educação!
Estive por aí a fazer.... coisas!
Aqui fica a prova! Check it out...

http://www.youtube.com/watch?v=xF2wITvss5g

"aquele abraço" e desejo de boas...coisas! ou continuação delas!

Vou Contar-te um Segredo

Dei por mim a ver uma reportagem sobre o lançamento do novo best-seller (já antes de ser posto à venda) de Margarida Rebelo Pinto. Juro que não sei como fui parar àquele canal, àquela hora, mas a verdade é que não me arrependo nada! Valeu mesmo muito a pena!!
Confesso que o meu estado emocional se modificou ao longo daqueles minutos. Primeiro veio o medo! Quando percebi que o título era "Vou contar-te um segredo", temi o pior. Se os escritos públicos já são o que são, receio imaginar os assuntos sigilosos desta senhora! Agarrei-me com unhas e dentes ao telecomando e ousei continuar... E não queiram saber como foi feliz esta decisão! Eis que surge o pai de MRP (não, não são as iniciais do seu nome, mas sim de "maluca, rebelde e perigosa" tal como a própria se descreve), não conseguindo conter a sua indignação!
E não é que a pobre Margarida tinha sempre insuficiente nas redacções da escola primária, devido à incompetência da professora?? A injustiça foi de tal forma grande que a "senhora sua mãe" teve de ir falar com essa péssima representante da classe docente, que lhe disse (ipsis verbis) - "Desculpe mas os textos da sua filha não têm pés nem cabeça!"; claro que não se ficou (ou não fosse ela mãe da ilustre MRP), e deixou no ar a ameaça "fique sabendo que tem aqui uma escritora e não a sabe reconhecer!"...
Ver o pai Rebelo Pinto a contar esta história com um misto de orgulho e arrogância foi perfeito. Imaginar a mãe Rebelo Pinto a esbofetear a senhora professora, mais perfeito foi. E a única parte imperfeita desta história é: ser mesmo real! Que falha, não me ter lembrado disto antes! É demasiado bom para não ter sido inventado.
Para finalizar, a pergunta que se impõe: Onde está essa professora??? Encontrem-na! Façam-lhe uma estátua na rotunda central do Dafundo (construam primeiro a rotunda, já agora), santifiquem-na, façam qualquer coisa! Ela tentou avisar-nos! Ela quis evitar este flagelo, que se dissemina dia após dia, capa-kitsch após capa-folclórica, prefácio estridente após prefácio espampanante, por essas livrarias fora.
Ela tentou...
Bem-haja!

She has a problem!

Pois é, meus amigos... hoje vou atrever-me a tocar numa questão delicada. Chamar-lhe-ia quase um tabu da sociedade portuguesa.. Pronto, ok, um tabu de parte da sociedade portuguesa.. Ou se preferirem.. um tabu para uma pequena minoria (embora grande em termos de perturbação mental) que acompanha semanalmente a cronista social Maya (tive de referir a sua ocupação senão poderiam incorrer no erro de pensar que me referia a Maya-astróloga, Maya-professora primária, Maya-mulher da noite ou até Simplesmente-Maya).
Pois é. Vamos abrir o jogo, chamar os bois pelos nomes, pôr os pontos nos i's, e fazer qualquer outra coisa que fique gira sob a forma "ditado popular/expressão idiomática". É preciso dizê-lo com clareza:
MAYA TEM UM PROBLEMA.
E perguntam vocês: só um?!?!
Sabem como eu sou, há coisas das quais nem falo!... E depois há aquelas que são demasiado óbvias para ignorar! É disso que se trata. Por isso reafirmo, sem medos: Maya tem um problema!
E qual é o problema?? .. Mesmo que ninguém tenha feito esta pergunta, pois ninguém no seu perfeito juízo quer saber qual o vigésimo terceiro defeito que encontrei em tal personagem, vou responder!
Maya não consegue utilizar de forma alguma Determinantes Demonstrativos!! Para o atestar, basta ouvirmos por escassos segundos o seu discurso diário!
"Merche nega ter namorado com Nélson, contudo, Nélson afirma que Merche é mentirosa sem escrúpulos. Liguei para Ronalda para saber sua opinião, contudo, mãe de Ronalda tendo vindo ao telefone disse que Ronalda não estava e que Cristiano há dias que não jantava em casa."
Sei de fonte segura que a cronista social já foi submetida a tratamentos extremos, em que terapeutas da fala de alto gabarito, oriundos de Miranda do Corvo, tentaram fazê-la soletrar os determinantes "o", "a", "os", "as". Pensando tratar-se de uma música ligeira portuguesa, Maya ainda alinhou. Mas quando lhe foi pedido que integrasse os mesmos determinantes em frases com substantivos, tudo mudou!
Sucederam-se os suores frios, afrontamentos, ataques de tosse compulsiva e conjuntivites fulminantes. Maya sucumbiu, não foi capaz de concluir nem o primeiro exercício. A saber "O João viu A Joana com O Luís no jardim com AS amigas dele.
Também..foram mauzinhos! Um determinante PLURAL e ainda por cima FEMININO logo para começar. Quando todos sabemos que a Maya (em qualquer das suas facetas profissionais) sempre se deu melhor com o género masculino!

Monday, March 13, 2006

TAXI

Citação da peça "Antes eles que nós"

Pergunta - E o taxista que guiava o carro??
Resposta - Morreu, foi para o céu.
P - A sério?? Como é que um taxista vai para o céu?!?
R - Pelo caminho mais longo, claro!

É ÓBVIO!!!!!!!! :)

Saturday, March 11, 2006

De olhos vermelhos, de pêlo branquinho, dou saltos bem altos, eu sou um... COELHINHO





Grande falha, mais de um ano de Monstro sem uma homenagem a esses ícones do humor negro (ou branco neste caso) - os Bunny Suicides, ou numa versão caseira "coelhinhos suícidas" (dá um ar mais querido e tal mas o derramamento de sangue continua lá!). Andy Riley é o responsável por tentar pôr fim a esta espécie, e por fazer rir mentes monstruosas.

Monday, March 6, 2006

Ataques

E por falar em expressões fascinantes... Desculpem mas lá vou eu outra vez, não resisto!
Porque não podia deixar de partilhar convosco este poder incrível que é o de, a meio de uma qualquer conversa cujo rumo não nos está a agradar, dizer: JÁ ME ESTÁ A DAR A FILOXERA! É muito bom! Supera uma mera subida da mostarda ao nariz ou um vulgar piripaque! Como diria o "outro" a minha pátria é a lingua portuguesa! Com vocábulos desta categoria, só podia ser!

Monstro is Back

Depois de uma pausa (MUITO MERECIDA, não haja dúvida) para descanso do pessoal, o Monstro Bolero está de volta, para gáudio dos seus fãs (avaliados em cerca de ....dois, mais precisamente dois familiares em terceiro grau, que imprimem os meus textos compulsivamente para comprovar que este lado da família nunca foi grande espingarda!)...
Pois é, o Monstro voltou, estúpido como sempre, graças a Deus.
Prometo em breve trazer mais doses industriais de coisas absurdas e impensáveis de serem proferidas por alguém com tino (adoro esta expressão!).

Wednesday, January 18, 2006

Mercantilismo

O que dizer de alguém que recebe em sua uma daquelas fascinantes demonstrações de aspiradores, com aquelas amáveis senhoras que querem não só melhorar o ar da nossa casa mas também dar um novo rumo à nossa vida, reformular as nossas prioridades, dar novo alento aos nossos sonhos, fazer-nos rever as nossas metas, por-nos a reflectir sobre a crise de valores da nossa sociedade, ajudar-nos na lista de compras do mês que vem e na escolha do infantário para os filhos que ainda não temos, e pelo meio, claro, vender aquele óptimo aparelho, cheio de funcionalidades espectaculares, de tal forma espantosas e complexas que nem vamos ter tempo útil de vida para as descobrir. Continuando, até porque todos nós conhecemos perfeitamente estas senhoras, deixo-vos apenas a pergunta inicial - o que dizer de alguém que não só sobrevive à demonstração e respectivo discurso, como consegue não comprar aspirador nenhum e vender uma inscrição num ginásio??

Será do Guaraná?

Porque será...
... que as embalagens que dizem Abertura Fácil são sempre as mais difíceis de abrir?

Strauss

Dizem que todos temos 5 minutos de fama na vida. Eu usei 10 segundos hoje! E muitíssimo bem por sinal... reunamos estes factores: CCB apinhado (1506 espectadores), orquestra e bailado a rigor... As duas pessoas MENOS indicadas para tal função foram as escolhidas (para não dizer despachadas) para trás do palco, incumbidas de levar flores aos artistas... Bailarinas, sopranos, coreógrafas, e o diabo a quatro, como diria a minha avó!! Pior é que eram bem mais que quatro..eram uma longa fila de número indeterminado.. e lá entro eu decidida para a ribalta... pronta para me cruzar com a minha cara amiga Banana que vinha lançada do lado oposto.. a distribuir rosas como eu.. Até poderia ser um cenário enternecedor, romântico... feérico mesmo! Mas não foi!! Foi a dupla B&B no seu melhor.. cruzámo-nos airosamente no palco e quando saimos cada uma por sua porta é o caos na direcção de cena... Entregamos flores a toda a gente menos ao maestro... Grande coisa, pensam vocês, e pensamos nós! Mas para aquela gente foi uma catástrofe, algo que nunca tinha acontecido antes, como referiu a produtora espanhola, no seu inglês precário, que se tornou bem mais agressivo depois da nossa performance. Contudo eu acho que até foi um bonito momento... obrigámos a coreógrafa a oferecer a sua flor ao maestro, ainda não recomposto de ter ficado pendurado, e ainda fizemos rir aquele numeroso público, cheio de pessoas que não esboçam um sorriso há cerca de 37 anos e meio, desde aquele dia em que viram um Especial Malucos do Riso na Arábia, da época claro, ou acham que eu não sei que há 37 anos (e meio) esse programa ainda não existia?!! Sou inútil na função de menina das flores, uma qualquer Rute Rita da Roda da Sorte bate-me aos pontos, mas também... não sou tão parva assim!! E lá se foram não só 10 segundos dos meus 5 minutos como as minhas chances de vir a ser assistente, e seguidamente esposa, de um qualquer apresentador tipo Carlos Cruz! Se é que existe um "tipo Carlos Cruz", mas isso levar-nos-ia muito longe!

Saturday, January 14, 2006

Momentos Alzheimer

Inauguro, aqui e agora, mais uma secção deste blog - OS MOMENTOS ALZHEIMER, com o Patrocínio de... daquilo... como é que se chamava mesmo?!? Bem, até ao fim do texto hei-de me lembrar!!
Momento Alzheimer de Hoje... Discutir de forma acesa a diferença de preços Pingo Doce/Minipreço, como se o futuro do país dependesse disso, como se o universo girasse em torno dos hipermercados portugueses, como se o facto de termos pago mais 2 cêntimos pelo Leite Mimosa Cálcio pudesse condenar-nos à ruína, e como se a resolução desse diferendo pudesse dar de comer a um agregado familiar de nove elementos e meio (a metade em falta ficou na Phone House, numa daquelas promoções de retoma).
E com isto não consegui lembrar-me do patrocinador desta fantástica rúbrica. Penso que a estas dificuldades de memória não é alheio o facto de a maioria dos meus dias atingir o auge, ultimamente, na famosa hora do Alzheimer. Tenho que ter cuidado senão, acontece qualquer coisa da qual não me recordo, de momento!

Happy New Year

Primeiro post do novo ano. O monstro voltou, com mais um ano de vida, mais maturidade, carisma, sentido de humor e presença de espírito. O blog contará com mais vida, mais alegria, mais vivacidade, numa palavra, mais SOUPLESSE. Nada do que atrás foi dito faz qualquer sentido mas eu queria muito usar esta palavra. E já está!!
Do primeiro texto de 2006 espera-se, no mínimo, que seja tão bom (ou tão mau, dependendendo do prisma) como os anteriores... e de preferência, que seja melhor ainda, para marcar a diferença. Espera-se que tenha impacto, que comova, que perturbe, que emocione... Espera-se que seja mais do que um vasto conjunto de palavras, que seja uma maravilhosa articulação de frases, uma MISCELÂNEA de sensações (outra palavra que eu gosto sempre de usar)! Espera-se tudo isso e muito mais, até que se colide violentamente com a realidade, até que eu vos faço acordar de um sono tranquilo, para vos dizer, com pesar: Lamento, o primeiro texto do ano foi isto!! Esperam-se melhores dias, em que continue a usar todas as palavras sem sentido que me APROUVER (e assim disse a terceira)!

Saturday, December 31, 2005

Discursos

Último dia do ano. Grande superfície comercial. Quantidade de pessoas acima da média a falarem sozinhas... Tive oportunidade de ouvir grandes discursos, tão difusos como confusos, quanto mais nãos seja pelo facto de estarem a ser feitos para o vácuo. Contagioso? A tal ponto que dei por mim a conversar comigo própria, entre uma lata de rebentos de bambu e um cacho de uvas. Medo muito medo!

Wednesday, December 28, 2005

Woody

Os dias passam e cada vez tenho mais certeza que as minhas dúvidas existenciais não terminarão nunca (acho que é a única certeza que tenho)! Ontem mais uma assolou o meu espírito.. e quando pensei que era apenas mais uma mera questão, reparei que vinha acompanhada de muitas outras, num turbilhão ao melhor estilo "delirium febril", já no patamar das alucinações correspondentes a 40º de febre... Tudo começou num pequeníssimo "Porquê?".. a partir dele, surgiram palavras de todos os lados, atacando-me violentamente, como se me acertassem repetidamente com um clarinete na cabeça (e já vão perceber o porquê de ter escolhido esta arma... prateada, entre tantas armas brancas possíveis)... "Porquê Eu?".. "Porquê o Woody Allen?", "Porque é que ALGUÉM paga 90 euros para ver um senhor debochado e com nome de pelicano?", "Porque é que esse síndroma não ataca só um ALGUÉM mas 1400 Alguéns?", "Porque é que, como se não bastasse este tormento de duas horas, há quem insista, contra todas as indicações, em filmar o espectáculo?", "porque é que as pessoas não se limitam a fazer aquilo que sabem? se são jogadores de futebol porque querem ser modelos? se são astrólogas porque querem ser escritoras? se são realizadores de cinema porque querem ser músicos?", "porque é que metade das pessoas presentes querem apenas esfregar os bilhetes no nariz dos amigos, como vingança de não terem sido convidados para o reveillon do ano passado?", "porque é que, ainda assim, se sujeitam a ver uma banda banal actuar durante 120 minutos banais, por uma quantia nada banal?", "porque é que eu me preocupo com isto?" - acho que encontrei finalmente a única pergunta à qual sei responder! Pensei em tudo isso, e muito mais, porque estava escuro, doíam-me os pés, e a New Orleans Jazz Band não teve a decência de parar um bocadinho de tocar para me dar descanso!

Feliz Natal

O que dizer perante isto? Quando na calma manhã da véspera de Natal vos tocam à campainha, e vocês pensam, logicamente, que é o Pai Natal (antecipado para variar um pouco, e porque já não tem idade para correrias), e espreitam com toda essa convicção... e vêem um vulto que em tudo se assemelha ao simpático senhor da Lapónia...pelo menos em dimensão (já que pormenores mais rebuscados tipo barba branca até aos joelhos não são descortináveis - vocês têm a luz do átrio fundida há um mês)... e abrem a porta já à espera de receber os merecidos presentes (e sim, eu tenho noção que este texto está cheio de "e" .. mas é para transmitir aquela emoção em soluço própria da quadra)... "e" continuando... abriram a porta, estão de braços abertos para o receber.. quando o indivíduo abre a boca (e agora já é um mero indivíduo, porque se não é o Pai Natal não nos merece respeito), diz que é da PT (não há cá Lapónia, nem trenó) e pergunta-nos se temos telefone fixo em casa.. Insólita questão para a véspera natalícia, pensamos nós, enquanto respondemos de forma semi-autómata que não temos telefone (no nosso cérebro passam ideias mais drásticas, como "não tenho nada, levaram-me o Pai Natal")... Ainda não recuperados da desfeita, eis que o senhor (mesmo sem barba nem saco de prendas) decide recompensar-nos e encher-nos de alegria para a nossa Consoada: "Muitos Parabéns, Já Está a Poupar 100%!" - e com esta enfática despedida se retira... Diria que está quase ao nível do mais comum, e algo antiquado, "Ho Ho Ho, Merry Christmas!".

Sunday, December 18, 2005

Dúvida

Porque é que as personagens dos filmes de terror nunca, mas nunca mesmo, acendem a luz?! Seria um anti-climax assim tão grande carregarem no interruptor??

Tuesday, December 6, 2005

José Veiga

Acho que as (sempre sábias) palavras do (ainda não percebi qual a função exacta, para além do folclore sempre simpático com que presenteia os telespectadores, ao nível de uma 1ª ou 2ª Companhia...) qualquer coisa do Benfica, José Veiga. Acho que as suas, sempre sábias, palavras deviam ser alvo de cuidadosa reflexão. Disse-nos este Pensador, há dias, acerca do futebol português: "há aí muita fruta!, muita fruta e muito café com leite". Dá que pensar!!

Andei contigo ao colo

Mais um enigma da nossa sociedade... porque será que as pessoas adoram dizer-nos "andei contigo ao colo!"??? Será que foi um marco assim tão importante nas suas vidas, que tenham de partilhar essa informação connosco?? Ou será que é uma dica a ver se as deixamos cometer essa proeza novamente?? É que, como se não bastasse, completam a afirmação com um enfático "eras deste tamanho!", como se por algum motivo nós fossemos levados a pensar que aquela afável senhora, de 89 anos e sete artroses, nos tinha pegado ao colo na véspera e já não nos lembrávamos!!